segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Raízes

Que saudades do meu povo! O fim do ano chega e a expectativa de revê-los é enorme. Fonte de renovação de energias, alegria e principalmente valores.

Lá em casa tem humor, amor, chororô, abraço, piada sem graça - que mata qualquer um de rir -, tem puxão de orelha, tem a comida gostosa de Maria, a porta aberta pra receber a visita dos amigos novos e os de muitos anos, aqueles que já são de casa ... os famosos “aderentes”.

Na hora da refeição tem TV ligada, gente falando alto e ao mesmo tempo. Um que ri de uma piada, o outro que conta uma novidade, o telefone que toca, a outra que tenta organizar a mesa e um que fica ensinando coisa feia pro papagaio. E esse se desembesta a repetir o que aprende. E lá vem tio Tavinho tomar o lugar dele na mesa no meio daquela confusão. Quando vô “Manel” era vivo ele dizia: Ô família linda que eu tenho, meu Deus! E a gente ria e dizia em coro: isso é uma mundiça, vô!!!

O cunverseiro continua, tio Tavinho faz cara de desespero e quando a gente pensa que ele vai brigar, o danado cai na risada e diz: isso é uma mundiça!!!!

Unida, apaixonada, forte ... sim, somos família! Faladeira, barulhenta, engraçada ... e apôis, somos mundiça!!!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Sobre viver

Homem lavando roupa numa fonte de praça
Foto: Claúdia Sardinha

Eu tenho dificuldade de entender a expressão “morador de rua”, pois se a pessoa não tem onde morar não pode ser considerado um morador. E por outro lado, acho que rua não é lugar pra se morar.

Cá estou eu de novo, andando pela cidade maravilhosa e refletindo sobre suas contradições. Depois de flagrar essa cena eu entendi porque as fontes das praças vivem secas. Quando a água aparece quem não tem onde morar aproveita a oportunidade pra tomar banho, lavar roupa e o que mais necessitar. Nossa peguei pesado... Como assim “o que mais necessitar”, minha filha? Esse povo necessita de tanta coisa!

A solução para o problema dessas pessoas e das suas futuras gerações vão além da minha vã filosofia. Sei que tem algo a ver com políticas públicas, educação e saúde... e talvez, também, possa estar naquelas ações de responsabilidade social que as empresas estão praticando através do terceiro setor.

O irônico disso tudo é a gente avaliar a vida dos outros de longe e dizer que sabe como solucionar os problemas deles. Quando o assunto é “gente” acho que solução “receita de bolo” não costuma ser tão fácil de preparar.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Grande desde pequena

Foto de Alex Redbull - Goiás 2005


Equipe Teleducação - FRM - Rio de Janeiro 2007

Mexendo no meu arquivo de fotos eu encontrei essa imagem. Ela foi registrada durante uma viagem à Cidade de Goiás, também conhecida como “Goiás Velho” (GO).

A fachada da Rádio Cidade de Goiás me fez parar pra ler e reler seu letreiro. Achei incrível! O sonho de todo comunicador: “Acima dos interesses políticos e econômicos, abaixo da vontade de Deus”. Tudo o que a gente acha que vai ser quando sair da faculdade de comunicação, mas nem sempre consegue (dependendo da área de atuação).

Gostei do exemplo dessa rádio. Despertou discussão sobre o assunto entre o grupo de jornalistas e estudantes que estavam lá comigo. Eu fiquei pensando no que estava fazendo da minha carreira e a partir dali idealizei a “comunicação” que eu realmente queria exercer. Tempos depois realizei meu sonho de estudante e estou ajudando a disseminar educação e cidadania através do meu trabalho.

Interessante como um olhar mais atento ao caminho pode mudar nosso destino!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O sofá amarelo

Três mulheres, uma casa e muita amizade


A vida nem sempre é feita de grandes passeios, lindas paisagens e aventuras. Tem dia que ela pede um repouso. E até pra curtir isso a gente tem que saber como. É em momentos como esse que a gente mais aprende o que significam as palavras: dividir, respeito e diferenças.

Lá em casa o sofá amarelo é símbolo do momento repouso. Em dias como esse ele suporta o peso de cada uma por igual. A que senta ali pra se conectar com o mundo; a que confia nele a guarda do seu último brinquedo da infância, - Rodrigo, o boneco de macacão azul- ; a que se sente uma pessoa melhor por poder ter com quem conversar e dividir suas teorias sobre o mundo e as pessoas.

Aposto que se ele pudesse se expressar daria boas risadas e até se emocionaria com nossas conquistas e frustrações. Mas, mesmo não podendo, olho pra ele e percebo seu exemplo de como equilibrar as diferenças, dividir o espaço e respeitar o outro.

A idéia pode até parecer meio maluca, mas prefiro aprender minhas lições de vida assim do que “na dor”.

E como diria meu amigo-irmão Vico: “Que assim seja!”

domingo, 30 de setembro de 2007

Domingo Legal!

fotinhas de Cláudia Sardinha e Hilda Armstrong

Aterro do Flamengo. Esse é um dos lugares mais agradáveis do Rio de Janeiro. Tem espaço pra todo mundo se divertir. Crianças, adultos, cachorros...

Grama, areia de praia, mar, calçadão para as caminhadas, a pista liberada para bicicletas e carrinhos elétricos, que fazem a alegria da garotada.

Para qualquer lugar que se olha uma paisagem linda ... o mar, o Pão-de-açucar, Niterói...

Domingo é dia de repor as energias para começar a semana com o espírito renovado... e nesse lugar a "paz" ganha significado, cor, vida.

domingo, 23 de setembro de 2007

Mainha, eu tô na Globo!


Cidade cenográfica de "Paraíso Tropical"
Fotos: Fernanda Lacerda e Octávio Lacerda

Estes dias recebi um convite para conhecer o Projac, o centro de produção da TV Globo. Imagina se ia perder essa oportunidade de ver de perto “a fábrica de sonhos brasileira”.

O lugar é imenso, incrível...

Minha primeira parada foi na praça de alimentação. Um verdadeiro almoço entre os globais. O elenco de Malhação estava por lá meio que se despedindo daquela fase, já que a série está chegando ao final de mais uma etapa.

Tá! Todo mundo lindo, mas eu queria mesmo era saber como tudo aquilo funcionava. E realmente soube. Vi a novela das oito sendo editada, a das sete recebendo efeitos sonoros, a turma da Malhação ganhando uma corzinha na sala de color... (esqueci o nome dessa técnica que corrige a cor das imagens). Mas, depois dessa, nunca mais vou desejar ter a pele de atriz nenhuma. Aqueles computadores maravilhosos são bem mais caros e eficientes do que qualquer creme de beleza.

Por lá só se fala na expectativa da chegada da TV Digital. E a emissora já se prepara para essa fase que vai mudar a maneira de fazer e ver televisão. A nova novela das oito “Duas Caras” estréia a produção em HDTV, a televisão em alta definição. Esse sistema vai eliminar, inclusive, as velhas fitas, ou seja, tudo o que for produzido vai ser trocado via rede. Chiquérrimo!

Na cidade cenográfica da novela Paraíso Tropical coisas interessantes para ver. As estruturas dos prédios em madeira produzem com perfeição a Copacabana por onde circulam os personagens do horário nobre da TV. Interessante foi descobrir que o cenário de cada um está disposto num espaço relativamente pequeno. O restaurante Frigideira Carioca fica em frente ao famoso edifício Copamar. Quem diria?

Fiquei imaginando aquilo tudo funcionando. O jogo de câmeras, o fundo azul ao fim do cenário, - colocado estrategicamente para futuramente dar lugar as imagens de continuação da rua -, a disposição dos atores nas cenas... técnicas, detalhes, truques que juntos fazem desse mundo o lugar dos sonhos dos telespectadores.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Os sem-vida

Monumento em homenagem aos sem-terras mortos no Pará
Foto: Fernanda Lacerda

Eldorado dos Carajás (Pa) – curva do S, local onde aconteceu o massacre dos sem-terra em 1996. Aqui foram mortos 19 militantes e para simbolizar a tragédia o movimento “plantou” 19 castanheiras queimadas às margens da rodovia PA-150.

A castanheira é uma árvore típica da região e é muito comum achar seus troncos queimados e mutilados nas terras que sofrem com as queimadas anuais. Não consigo mensurar o que é mais chocante, se é vê-las tombadas ou dispostas dessa maneira, representando vidas que se foram de uma forma tão brutal.

O MST tentou plantar ao lado desse monumento mudas de castanheiras para que florescessem e simbolizassem “a cicratização das feridas abertas pelo massacre”... mas, a terra do local não é mais propicia para isso. E as plantinhas não se desenvolveram.

Passando por aqui a minha sensação é que a natureza aproveitou para fazer seu protesto, também. Na terra onde ela enfrenta o fogo e foi obrigada a beber o sangue daquela gente nem as sementes do perdão conseguem brotar.