De férias pela Cidade Maravilhosa, não poderia deixar de registrar minha passagem pelo Bar Garota de Ipanema, que fica entre as Ruas Prudente de Morais e Vinícius de Morais.
Tom Jobim e Vinícius de Moraes eram frequentadores assíduos do então chamado Bar Veloso e foi durante uma dessas passagens por lá que Vinícius escreveu a música “Menina que passa”. Letra essa que nem ele, nem Tom gostaram muito, mas deu origem ao clássico da Bossa Nova “Garota de Ipanema”. Helô Pinheiro foi a musa inspiradora da letra, mas só veio a saber disso anos depois.
A letra de “Garota de Ipanema” foi ampliada e colocada em destaque em uma das paredes do Bar, que hoje leva o nome da canção que é a cara do Rio de Janeiro.
Garanhuns fica no agreste de Pernambuco. E nessa época do ano o clima por lá é bem frio, podendo chegar até aos 9ºC. Bom, ainda bem que durante minha passagem por lá a temperatura ficou numa média de 17ºC.
Mas, o que me levou a Garanhuns esses dias não foi o frio e sim a programação do Festival de Inverno de lá, que é super bacana. Em apenas um final de semana pude curtir em praça pública os shows de Fernanda Abreu, Mombojó, Lenine e Rita Lee. Mas, além deles, outras grandes atrações participaram do evento, que mobiliza toda a cidade em nome da cultura. Se pudesse teria ficado mais um pouco.
Curiosidades
Garanhuns tem vários apelidos carinhosos, como: Cidade das Flores, Suíça Nordestina e Cidade da Garoa. Agradável no clima, nas paisagens e na hospitalidade dos moradores.
Na Praça Tavares Correia, existe um relógio super famoso, ponto de parada obrigatório para todos os turistas. Construído em 1979 o “Relógio das Flores” funciona de verdade, graças a uma tecnologia que usa cristais de quartzo. Durante os dias em que o Festival de Inverno agita a cidade, esse e outros pontos turísticos de Garanhuns só podem ser fotografados assim ... com filas daqueles que querem levar uma lembrança de uma das poucas cidades nordestinas que conservam um clima tão agradável.
Como é prazeroso amar o que se faz. Por causa desse meu amado trabalho acabo tendo a oportunidade de conhecer alguns dos artistas que admiro.
Então, quero registrar aqui minha admiração pelo trabalho de dois paraibanos super talentosos. Um busca no cotidiano do povo nordestino a inspiração para fazer poesia popular, já a segunda pessoa, canta e encanta platéias com seu jeito todo original de interpretar sucessos da música regional.
Eu tive o privilégio de entrevistar Jessier Quirino, o poeta e Sandra Belê, a cantora.
A Sandra Belê já lançou o CD "Se incomode não". Quem tiver interessado pode ouvir algumas músicas via internet e depois adquirir o CD original que tem o preço bem camarada.
Saí em campo com a missão de saber a opinião das pessoas sobre “o que é diversidade cultural” e eis que no caminho o auxiliar técnico da equipe sugeriu que fossemos, também, a uma feira livre. Beleza! Vamos!
Só que mais do que depoimentos saímos de lá com uma matéria super bacana sobre como aquela feira é a própria expressão da diversidade cultural.
Cenário de produções cinematográficas como: O Auto da Compadecida e Romance, a cidade de Cabaceiras, na Paraíba é um desses lugares que fazem qualquer visitante esquecer o ritmo acelerado do resto do mundo, pois celular não funciona, as ruas são estreitas e todo mundo se conhece. Lá vivem em média 5 mil habitantes. Os moradores preservam a arquitetura centenária de suas casas, e pintam suas fachadas com cores fortes e alegres. Tudo tão lindo e bem cuidado que dá vontade de esticar a temporada por tempo indeterminado.
Além de ser usada como set de filmagem de produções nacionais, as paisagens de Cabaceiras ilustram encartes de Cd’s de importantes artistas da terra e também empresta suas cores para um dos álbuns do Padre Fábio de Melo. Dona Valdenira é uma das ilustres moradoras da cidade. Carismática, doce e muito hospitaleira sua foto está no trabalho do padre, intitulado: "Enredos do meu povo simples”.
Festa tradicional
Em Cabaceiras a criação de bode é fonte de renda para muitas famílias e é pela força que a caprinocultura tem na região que todos os anos a cidade promove a Festa do Bode Rei. Fantástica!!! Tem exposição de animais, de artesanato feito de couro de bode, concurso que escolhe o bode rei do ano, corrida de bode e uma culinária bem curiosa. Além da tradicional buchada de bode, lá tem pizza de bode, tapioca com recheio de carne de bode, um licor chamado xixi de bode e por aí vai.
Então aí fica a dica de Nanda Lá para que está solo paraibano ou pretende: Cabaceiras tem que estar no seu roteiro de visitas.
Certo dia um casal paraibano fez uma promessa a Deus. A graça alcançada está em segredo até hoje, mas ao alcançá-la eles prometeram erguer uma imagem do Cristo Redentor na Praça do Meio do Mundo.
Longe? Que nada. A famosa praça fica entre as BR-230 e BR-412, na Paraíba mesmo. Dizem que a praça está exatamente no meio do mundo e por isso (lógico) recebeu esse nome. Fiz algumas pesquisas, mas não encontrei nada confirmando a informação, até agora.
Bom, mas não foi o fato de pisar no meio do mundo que me chamou a atenção e sim, a comprovação de que o vandalismo está em toda parte. O Cristo erguido ali já praticamente nem existe mais. Perdeu a cabeça, os braços e o peito aberto pelas mãos de gente sem coração.
Mas, enfim ... Nanda Lá segue pela estrada ciente que fé é coisa inabalável, que Deus é onipresente e que seguindo reto, dando ré, fazendo curvas, subindo ou descendo Ele ta lá... guiando a gente pelas estradas da vida.
Podia ser só mais um pôr-do-sol, mas não é. Na terra onde o sol nasce primeiro, o astro rei se põe ao som do Bolero de Ravel. Lindo de ver e ouvir... O local: praia do Jacaré, em João Pessoa (PB). Tanto tempo morando na terrinha e eu não conhecia esse lugar. Que absurdo!
Todos os dias canoas saem dos piers dos bares as margens do rio Paraíba e promovem um show em parceria com a natureza para o público que se aglomera por ali, uma iniciativa que começou há cerca de 30 anos com Jurandy do Sax.
Bela maneira de esperar um novo dia raiar... e assim, viver um ano novo com o coração cheio da poesia que exala no vento desse lugar encantador.